24 de novembro de 2008

Dias melhores virão

Creio na minha normalidade... E isso me basta por enquanto. Pra manter uma chama, um sonho de que um dia talvez possa viver num mundo melhor, onde as pessoas consigam ver o óbvio que é a singularidade de cada pessoa, onde cada um consiga, assim como eu faço, e muitas outras pessoas também, ver além da roupa rasgada de um jovem punk e não deduzir que ali tem um drogado sem futuro, que quando ao passar por um negro na rua não apertem a bolsa mais pra perto do corpo, apressando o passo com olhar desconfiado, que ao ver uma pessoa pobre não deduza um vagabundo, e sim entendam que nessa sociedade capitalista imunda, você nascendo assim, pobre e preto, dificilmente conseguirá sair dessa, e não é por má vontade não... Deve-se rever conceitos quando se admite a hipótese de que alguém vá ter um filho com o simples intuito de conseguir 15 reais a mais por mês de bolsa família...
Falando em pobre e preto...
Quando você nasce preto e pobre, há uma multidão de adjetivos pejorativos, anos de má propaganda e tradições que servem apenas para reforçar a raiva que o mundo tem de você. E você não entende o porquê... Porque pra quem é criança e preto, olha pras próprias mãos, marronzinhas e pequenas, aquilo é só pele, aquilo não te define nem te completa... É só pele..
E com o tempo o ser humano cansa.. Cansa de ser vilipendiado e descartado como lixo, como algo que está ali só pra causar prejuízo, e se qualquer jovenzinho classe média tenta se matar porque não tem o Nike do momento, assim como muitas pessoas entram em depressão por terminar um namoro... Assim como um ser humano normal o preto e pobre, tantas vezes chamado de vadio, de macaco, de vagabundo, sofre e desse sofrimento vem à revolta, e nessa revolta e ele começa a justificar todos os anos de xingamentos. Se convence que já que é esse o único papel que lhe cabe nesse circo maldito, deve representá-lo bem. E ai já viu...
Quando chega a idade adulta, já com a cabeça formada de maneira que se sente um lixo, animal, macaco, menor que qualquer outra pessoa, e não raro com comportamento violento e revoltado, simplesmente da merda... Da merda mesmo, pois não se endireita uma pessoa que passou a vida doutrinada a ser um lixo.
Eu particularmente não tenho preconceitos, apenas conceitos.
Não gosto de pessoas presunçosas, não gosto de pessoas que não tem respeito, nem de pessoas preconceituosas..
Com os anos aprendi a me proteger de racistas ocasionais, desenvolvendo um sensor pra esse tipo de gente... No olhar já vejo e evito o que posso perder meu tempo com uma pessoa assim.
Agora temos um presidente negro nos pais mais poderoso do mundo, e pela primeira vez em muito tempo eu sinto que todos os negros do mundo, mais do que nunca, se sentem com um pouco mais de esperança, de que talvez um dia cada um seja não mais preto, e sim humano.

20 de novembro de 2008

Sobre querer

Queria tanto ter o poder de te fazer ver o quanto eu quero você aqui.
Essa impotência me cansa, a espera e as tentativas todas me deixam tão cansada...
Eu não tenho tanto tempo assim, nem essa tua capacidade quase fria de não demonstrar o que sente.
Sempre foi assim, o indiferente.
E eu sempre fui a honesta, a corajosa, a analítica...
Sempre coube a você o fácil papel de garoto afetado quebrador de corações
E sempre coube a mim ser a que entende, a que enfrenta as paredes ásperas do teu ego sofrido, do teu medo e da tua incerteza.
Eu daria tudo só pra ter uma chance de entender completamente o que se passa na tua cabeça.
Mas ando tão cansada sabe, de correr em círculos, de pintar de branco tuas paredes em ruínas tentando invariavelmente sem sucesso fazer parecer aceitável teu ser incompleto.
Tenho que parar com essa mania de fazer os outros felizes.
Preciso parar de amar. Você.

13 de novembro de 2008

Saber ser indiferente ao que é ruim e o que é bom
Conseguir deixar ir e saber manter.
Sentir e sentir e sentir
Sorte e sorte e sorte
O que é nosso de verdade não vai embora, nem vacila diante das adversidades ,
Muito menos ignora a verdadeira essência do que somos.
Se não amar alguém pela sua verdade então pelo que amar?
É um longo caminho, a vida, pra viver só.
Ou viver com medo
Não existe nem agora nem nunca uma força capaz de incapacitar nossos delírios de maneira que até mesmo as mais simples poesias se transformem nesse emaranhado denso e perigoso chamado imaginação.
É preciso banhar-se na loucura tanto quanto manter a sanidade... Como andar em um muro ou se equilibrar sobre o cavalo... Na vida é preciso muito mais q simples desejo de viver
Ela te cobra tudo, e tudo é o que ela te leva a fazer para conseguir apenas vislumbrar todas essas coisas que caem sobre nossas cabeças todo dia, mas não parecemos capazes de alcançar: amor, confiança, fé, paz, harmonia... E todas aquelas palavras que as velas de 1,99 prometem trazer.
Se fosse fácil assim.
Não é.
Tudo isso advém de muito esforço e sorte.
Tem muitas coisas na minha mente o tempo todo.
Não tenho certeza de que ainda mantenho uma conexão estável com pensamentos racionais, pois tudo parece demasiadamente confuso...

1 de novembro de 2008

É o tempo
No acaso que encontro
Tua pintura refletindo
O rosto de outra flor
Que não a minha
Como pode
Meus sonhos em ti depositei
E hoje essa pérola que é teu amor
Enfeita outro colo que não o meu
Me diz se não acreditar
No que meu corpo pede mais
Que é teu amor junto a mim
Em que então ?
Já não me vejo em outro amanhã
Que não o teu...
Já não posso conceber outro nome
Que não o teu...
E mesmo assim
Nesse sentimento unilateral
Me afogo em meus solitários devaneios
Enquanto pousas tua virtude naqueles olhos
Que não meus...

29 de outubro de 2008

Sentimental

Ouvindo a música Sentimental do Los Hermanos... Penso em como essa sentimentalidade origina não apenas fatos isolados de insônia mergulhada em quilos de pensamentos angustiados como semanas, meses e anos de algumas pessoas, que passam a vida amando platonicamente um ser que nem se quer sabe de sua existência...
E isso é triste pra caralho.
Digo por que eu já senti essa paixão platônica e não é legal, pois se sofre um bocado pensando na pessoa, sendo realista e vendo que ela nem ao menos sabe o seu nome, após isso entregue a toda a essência da platonice consegue até visualizar a rotina do casal, e toda aquela coisa idealizada e linda que deixa qualquer um em estado de transe, pra novamente aterrisar ao solo e voltar ao realismo desanimador.
É um nojo esse sentimento, e depois de sofrer muito e se livrar dele de alguma forma, o que não é nem um pouco fácil, eis que você sente novamente aquela coisinha voltando pra mais uma vez devastar seu sofrido recém curado sentimento com mais uma rajada mortal de ilusões.
As pessoas que vemos por ai resignadas de amar errado, solitárias e vazias devem ter passado maus bocados nas mãos de quem não queria esse amor e sem paciência ou sem consideração repetidas vezes machucou e feriu.
E se for isso? E se como em tudo também no amor não temos certeza, será justo querer entregar para alguém nossa fé, nosso sonho, esperanças e alegrias para depois de anos acreditando em tudo aquilo receber uma mentira? Apenas isso.. uma ilusão....

20 de outubro de 2008

O vento - Los Hermanos


Posso ouvir o vento passar,
assistir à onda bater,
mas o estrago que faz
a vida é curta pra ver...
Eu pensei..
Que quando eu morrer
vou acordar para o tempo
e para o tempo parar:
Um século, um mês,
três vidas e mais
um passo pra trás?
Por que será?
... Vou pensar.

- Como pode alguém sonhar
o que é impossível saber?
- Não te dizer o que eu penso
já é pensar em dizer
e isso, eu vi,
o vento leva!
- Não sei mais
sinto que é como sonhar
que o esforço pra lembrar
é a vontade de esquecer...
E isso por que?
Diz mais!
Uh... Se a gente já não sabe mais
rir um do outro meu bem então
o que resta é chorar e talvez,
se tem que durar,
vem renascido o amor
bento de lágrimas.
Um século, três,
se as vidas atrás
são parte de nós.
E como será?
O vento vai dizer
lento o que virá,
e se chover demais,
a gente vai saber,
claro de um trovão,
se alguém depois
sorrir em paz.
Só de encontrar... Ah!!!

15 de outubro de 2008

Escrever é uma entrega tão completa que capaz de forçar os sentidos a vivenciar coisas irreais.
Eu não sou uma Clarice, nem um Dostoievski da vida, nem perto.
De fato, perco até pro Paulo Coelho, mas não sou profissional, apenas escrevo aqui o que eu sinto, o que gosto, simplesmente por gostar e para daqui uns anos poder ler aqui essas sentimentalidades todas e pensar em como eu reclamava da vida sem motivos, e toda a baboseira que a gente sempre pensa anos depois de passar por sofrimentos existenciais.
Mas nada muda o fato de eu amar escrever quase tanto quanto ler. Se eu pudesse passaria a vida lendo, tomando café e escrevendo minhas coisinhas.
Vida simples mente elevada.
Estranha essa minha relação com o direito. A maior parte dos meus colegas tem sérias pretensões salariais, mesmo os que não explicitam isso demonstram que estão ali não por amor ao direito, mas em busca de uma forma convencional, até tradicional de ganhar uma graninha boa. Mesmo sabendo que o mercado esta abarrotado de advogados e que mal e mal conseguimos estágios não remunerados, lá estamos, todas as noites, pagando uma fortuna, 5 anos de nossas vidas, pra depois ainda ter que passar na maldita oab.
Ai sim podemos começar a nos preocupar. Vamos ser mais um em milhares de advogados recém formados que são jogados no mercado todos os dias.
“O mercado seleciona...” Frase mais manjada de todos, até uma espécie de mantra dos estudantes... Até ai tranqüilo, mas o negócio é o seguinte... E se nós não formos os escolhidos?
Eu, por outro lado, venho abstraindo desse negócio de advogar, concursos, carreiras, e analisando a possibilidade de ser professora.
De penal, obviamente... A única razão de eu ter me metido nessa folia.
Talvez filosofia do direito também, embora eu ache que a matéria seja um pé no saco por ser introdutória e os alunos ávidos pra ter direito civil e penal (assim como eu estava), olharem pro professor demonstrando toda a insatisfação por estar ali, acho uma matéria muito legal.
A filosofia de certa maneira esta intimamente ligada ao direito por essencialmente humana, assim como está ligada a tudo em nossas vidas.
Imagine se eu for capaz de dar aula de Penal à noite, chegar em casa, ler e ficar fazendo qualquer coisa que eu queria a noite toda, depois dormir o dia todo.
Ah... Que delícia.