15 de outubro de 2008

Escrever é uma entrega tão completa que capaz de forçar os sentidos a vivenciar coisas irreais.
Eu não sou uma Clarice, nem um Dostoievski da vida, nem perto.
De fato, perco até pro Paulo Coelho, mas não sou profissional, apenas escrevo aqui o que eu sinto, o que gosto, simplesmente por gostar e para daqui uns anos poder ler aqui essas sentimentalidades todas e pensar em como eu reclamava da vida sem motivos, e toda a baboseira que a gente sempre pensa anos depois de passar por sofrimentos existenciais.
Mas nada muda o fato de eu amar escrever quase tanto quanto ler. Se eu pudesse passaria a vida lendo, tomando café e escrevendo minhas coisinhas.
Vida simples mente elevada.
Estranha essa minha relação com o direito. A maior parte dos meus colegas tem sérias pretensões salariais, mesmo os que não explicitam isso demonstram que estão ali não por amor ao direito, mas em busca de uma forma convencional, até tradicional de ganhar uma graninha boa. Mesmo sabendo que o mercado esta abarrotado de advogados e que mal e mal conseguimos estágios não remunerados, lá estamos, todas as noites, pagando uma fortuna, 5 anos de nossas vidas, pra depois ainda ter que passar na maldita oab.
Ai sim podemos começar a nos preocupar. Vamos ser mais um em milhares de advogados recém formados que são jogados no mercado todos os dias.
“O mercado seleciona...” Frase mais manjada de todos, até uma espécie de mantra dos estudantes... Até ai tranqüilo, mas o negócio é o seguinte... E se nós não formos os escolhidos?
Eu, por outro lado, venho abstraindo desse negócio de advogar, concursos, carreiras, e analisando a possibilidade de ser professora.
De penal, obviamente... A única razão de eu ter me metido nessa folia.
Talvez filosofia do direito também, embora eu ache que a matéria seja um pé no saco por ser introdutória e os alunos ávidos pra ter direito civil e penal (assim como eu estava), olharem pro professor demonstrando toda a insatisfação por estar ali, acho uma matéria muito legal.
A filosofia de certa maneira esta intimamente ligada ao direito por essencialmente humana, assim como está ligada a tudo em nossas vidas.
Imagine se eu for capaz de dar aula de Penal à noite, chegar em casa, ler e ficar fazendo qualquer coisa que eu queria a noite toda, depois dormir o dia todo.
Ah... Que delícia.

3 comentários:

eliane disse...

Não sabia que tu estás cursando direito. Aliás, desde que mudei para Carazinho, pouco ou quase nada mais sei daí.
Abençoada internet que nos permite esses contatos.
E mesmo que tu resolvas não praticar a profissão, quando concluir o curso, terá valido a pena cursá-lo. Nos dá uma visão ampla de muitas facetas da vida. E nos deixa mais aptos a analisar os fatos, quaisquer fatos, o que nos dá uma maior dimensão e entendimento do que se passa.
Credo!
Agora fui ler o que escrevi, e não deletei porque acabei dando uma baita gargalhada.
Isso é outra coisa que tu vais aprender no curso: escrever difícil e "analisar" tudo. Mas é bem legal, no final das contas.
Parabéns, colega.
grande beijo

Jana disse...

Opa, também não sabia.
Mas gostei do teu jeito de colocar a coisa, acho que é bem por aí: já que (feliz ou infelizmente) vivemos em um mundo no qual precisamos de dinheiro para nossas necessidades mais básicas, lamentavelmente poucos podem se dar ao luxo de viver para ler, escrever e tomar o seu café sossegado.
No entanto, não é por isso que vamos participar.
"Se o mundo é um lixo, eu não sou".

Pode acreditar que você vai DAR UM JEITO de conciliar tua profissão com os teus livros, teus textos e o teu cafézinho.
Pode acreditar.

:)

eliane disse...

Vim agradecer os parabéns que me enviaste, através do blog da Jana.
É, nascemos no mesmo mês e, por detalhe, não no mesmo dia.
Obrigada mais uma vez.
beijo